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9º seminário docomomo brasil

Lançamentos de livros
Book releases


8 de junho de 2011
18h15

Oscar Niemeyer : de vidro e concreto
Frederico de Holanda (Trad. Mark David Ridd. Brasília : FRBH, 2011. 168p. Bolso, 1)

O brasileiro Oscar Niemeyer é justamente reconhecido como um dos grandes arquitetos da história – o sentimento é quase unânime. Entretanto, há controvérsias sobre aspectos específicos de sua obra. Este livro considera um deles: relações entre o espaço interno dos seus trabalhos e o espaço externo às edificações, natural ou construído. Varia a natureza da “pele” dos edifícios, facultando mais ou menos possibilidades de passagem entre dentro e fora (abertura x fechamento), mais ou menos visibilidade entre interior e exterior (transparência x opacidade). Há certa tendência no tempo: projetos mais antigos são mais abertos e mais transparentes; mais recentes, são mais fechados e mais opacos. Quais as implicações disto? Quais as sensações das pessoas ao usufruírem as alternativas? Como avaliar a transformação?

Brasília : cidade moderna, cidade eterna
Frederico de Holanda (Brasília : FAU UnB, 2010. 152p.Brasília Histórica 50 anos, 3)

É quase unânime caracterizar Brasília como “uma cidade moderna”. Descrição pobre. Lucio Costa supera o receituário, estava “desarmado de preconceitos e tabus urbanísticos”. Além dos traços modernos, o arquiteto ousa incorporar influências milenares – terraplenos monumentais, perspectivas barrocas, cidade jardim.

Honrosas exceções à parte, os discursos sobre Brasília são míticos. Os elogiosos ignoram os problemas da Capital, os críticos inventam problemas inexistentes.

Brasília – cidade moderna, cidade eterna procura superar o maniqueísmo do “ame-a ou deixe-a”. Revela ser a Capital uma das mais peculiares cidades do planeta, nos âmbitos metropolitano e do Plano Piloto de Lucio Costa. Mostra seus grandes problemas e suas fascinantes qualidades. As qualidades são estruturais. Essas vencerão o tempo. Os problemas são circunstanciais. Quixotesco lutar por solucioná-los? Talvez. Mas vale tentar. Sempre.

Olhares : visões sobre a obra de João Filgueiras Lima
Cláudia Estrela Porto. Org. (Brasília : Editora da Universidade de Brasília, 2010. 176p.)

Acaba de ser publicado pela Editora Universidade de Brasília um livro elaborado em homenagem ao arquiteto cujo nome se encontra estampado no seu título. João Filgueiras Lima é o nosso tão conhecido Lelé. O livro será lançado como celebração ao recém inaugurado Memorial Darcy Ribeiro, o Beijódromo, cujo projeto e construção foram uma promessa feita por Lelé ao amigo Darcy. O Memorial guarda a memória do intelectual, antropólogo, professor, político, membro da Academia Brasileira de Letras, cidadão marcado pela brasilidade e pela paixão, um dos fundadores e primeiro reitor da Universidade de Brasília.

Quem organiza o livro OLHARES… é a professora Cláudia Estrela Porto, autora do Prefácio e de um dos textos que compõem a obra. Trata-se de um presente a Lelé, a quem o livro torna presente, em suas 176 páginas, compostas por preciosos textos de André Aranha Corrêa do Lago, Andrey Rosenthal Schlee, Ana Gabriella Lima Guimarães, Ana Luiza Nobre, Cláudia Estrela Porto, Hugo Segawa, Maria Amélia Devite Ferreira D’Azevedo Leite, Maria Elisa Costa e Yopanan Conrado Pereira Rebello. Com palavras cuidadosamente escolhidas, as autoras e os autores desenham o homenageado, traçando uma trama de linhas que se estendem no tempo e no espaço, ligando Lelé a grandes nomes da arquitetura mundial, a obras enraizadas em um forte compromisso social e político expresso em escolas e hospitais, a mestres companheiros, como Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Athos Bulcão.

Arquiteto, fabricante, construtor, criador. Criador de prédios, pontes, processos, elementos de construção. Criador de lugares de cura, de lugares de educação, de lugares de beleza, de lugares de fraternidade, de relação. Compromisso com a estética, a ética e a política. Lelé respira o Brasil, vive o Brasil, inspira o mundo. As imagens do livro nos tiram da magia das palavras e nos levam ao encanto de croquis e de obras que querem nos provar a legitimidade do elogio. Uma dança – palavras, figuras, traços, rostos – encontro do escrito com o figurado, que leva os leitores e as leitoras a nos deliciarmos com o jogo das duas linguagens que se esboçam: os diversos estilos de escritura e as figuras que surgem, no virar das páginas, em sua expressividade máxima, original, assinando simples edefinitivamente um nome: Lelé.

[Resenha por Lúcia Helena Cavasin Zabotto Pulino]

India e Butão: os caminhos que percorri
Cláudia Estrela Porto (Brasília: Editora ArP, 2010.370 p.)

Minha mais antiga referência à Índia deve-se à história de Alexandre, o Grande. Não sei onde a li ou quem a escreveu, mas lembro ainda meu encantamento ao saber da atração que o implacável conquistador e rei da Macedônia tinha por aquelas terras longínquas. Lembro-me igualmente do impacto causado, durante toda a minha infância, pelas antigas e míticas histórias de uma Índia sempre diferente de tudo o que conhecia. O interessante é que, só recentemente, descobri em uma entrevista do historiador Jacques Le Goff, que Alexandre foi quem revelou a Índia para o mundo ocidental. Uma Índia que passou a ser imaginada como a antecâmara do Paraíso pelo espírito medieval; e que, até hoje, é majoritariamente retratada apenas pelo seu exotismo.

Cláudia Estrela Porto, no livro Índia e Butão: os caminhos que percorri, mostra-nos outra Índia (e um sempre desconhecido Reino do Butão). Escrevendo como os antigos cronistas e viajantes, registrou em seu laptop o dia-a-dia de uma longa expedição contemporânea, na qual buscou compreender a cultura local em, pelo menos, duas de suas manifestações mais importantes e vivas: a religião e a arquitetura. Mas Cláudia fez muito mais. Mergulhou conscientemente no mundo hindu e butanês, convivendo com as populações locais, descobrindo seus costumes, conhecendo suas profundas tradições e, como não poderia deixar de ser, revelando (e enfrentando) seus problemas cotidianos. E aqui reside uma constatação, trata-se sempre do olhar de uma ocidental viajando pelos difíceis caminhos da Índia e escrevendo sobre ela para nós. A história e as descobertas de uma curiosa e persistente mulher ocidental, sozinha, na “antecâmara do Paraíso”.

 [Resenha por Andrey Rosenthal Schlee]

Arquitetura do lugar : uma visão bioclimática da sustentabilidade em Brasília
Marta Adriana Bustos Romero (São Paulo : Nova Técnica, 2011. 164p.)

Este livro, voltado aos que projetam, dirigem e gerenciam a cidade, aos estudantes e profissionais arquitetos e urbanistas, visa contribuir para a reflexão sobre a problemática do clima e meio ambiente e, especificamente, para o estudo das formas que os espaços abertos construídos apresentam. Com uma ampla base teórica e por meio de exemplos e considerações analíticas sobre o espaço que abriga Brasília e o Plano Piloto, busca-se contribuir para o início de um programa de reabilitação sustentável do espaço urbano, em especial dos espaços abertos, aqui definidos como aqueles espaços, que sendo públicos, exteriores e urbanos, condicionam os espaços construídos, que às vezes lhes conferem suas formas, seus relevos e suas características. A modo de conclusão, discutimos perspectivas acerca do desenvolvimento futuro para alcançar a sustentabilidade, reafirmando algumas das conclusões alcançadas no estudo de Brasília, entre as quais a certeza de que é com base nos exames do desempenho de estruturas urbanas e suas energias naturais, assim como da relação entre os atributos do espaço urbano nas suas diferentes escalas, que se deve pensar o projeto: a análise urbana é condição e para ele o espaço assim tratado garante integridade e identidade do construído e adequação ao lugar onde se assenta.


9 de junho de 2011
18h15

Interbau Berlim 1957
Hansaviertel : a cidade do amanhã
Mara Oliveira Eskinazi (Ponteio, 2011. 306p.)

Berlim passou, desde o segundo pós-guerra, por um processo urbano singular, decorrente do seu estado de destruição e posteriores divisão e reunificação. A cidade, que apresenta expressiva tradição de vanguarda arquitetônica, inaugurou em 1957 a Interbau, primeira Exposição Internacional de Arquitetura ocorrida após a II Guerra Mundial.

A exposição utilizou-se do lema “a cidade do amanhã” para reconstruir o Hansaviertel, bairro destruído pela guerra, e exemplificar o que de melhor a arquitetura e o urbanismo modernos ofereciam em termos de habitação social.

Analisando a arquitetura e o urbanismo materializados no Hansaviertel, Interbau 1957 Berlim – Hansaviertel: a cidade do amanhã retrata a viabilidade da coexistência, em um fragmento de cidade moderna, de distintas tipologias residenciais em vizinhança com uma série de equipamentos urbanos que, juntos, conferem ao bairro uma atraente diversidade tipológica e funcional. Assim, ao mesmo tempo que exemplifica as diferentes alternativas que se apresentam para habitar em uma cidade moderna, mostra que a Interbau apresenta uma série de diferenças com relação às visões mais simplificadoras do urbanismo moderno.

Warchavchik : fraturas da vanguarda
José Lira (São Paulo : CosacNaify, 2011. 552p.)

Neste livro, José Lira apresenta uma releitura cuidadosa do momento vanguardista, inserindo a obra do arquiteto Gregori Warchavchik em um triângulo de forças com Mário de Andrade e Lucio Costa, como vértices do modernismo no Brasil. Com seu itinerário ramificado e múltiplo, a trajetória de Warchavchik nos permite vislumbrar os capítulos fundamentais da história cultural da arquitetura brasileira, os debates intelectuais da vanguarda, a figura do imigrante em uma sociedade afluente, as novas rotinas do trabalho projetual e as tramas sociais e econômicas que transformaram a metrópole paulista. A edição traz mais de 350 imagens, entre fotos, documentos e projetos, que acompanham a biografia do arquiteto, das raízes ucranianas, passando por sua formação artística na Itália, até sua chegada em 1923 ao Brasil, onde manteve uma atividade projetual regular até os anos 1960.

Congresso Internacional Extraordinário de Críticos de Arte
1959 : Brasília , São Paulo , Rio de Janeiro
Maria da Silveira Lobo e Roberto Segre (Editores) , (Rio de Janeiro: UFRJ/FAU, 2009. )

Em 1959, no ano anterior a inauguração de Brasília, Juscelino Kubitschek quis que os principais críticos de arte e arquitetura, arquitetos, historiadores e designers, debatessem sobre o futuro das cidades no século vinte, e a significação de Brasília, como expressão do urbanismo moderno. O crítico de arte Mário Pedrosa assumiu a responsabilidade do evento que se desenvolveu em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. O Congresso foi presidido pelo crítico italiano Giulio Carlo Argan, e nos debates participaram representantes da cultura, arquitetura e arte de América Latina, Europa e Estados Unidos. Entre os mais conhecidos, participaram Frederick J. Kiesler; Stamo Papadaki, Richard Neutra, Bruno Zevi, William Graham Holford (quem participou no júri do concurso de Brasília), Aline Saarinen, Jean Prouvé, Alberto Sartoris, André Bloc, Charlotte Perriand, Tomás Maldonado, Gillo Dorfles, Jorge Romero Brest, entre outros. Por primeira vez neste volume se difundem as atas com a participação de todos os convidados.

Arquitetura + Arte + Cidade : um debate internacional
Roberto Segre, Marlice Azevedo, Renato Gama-Rosa Costa, Inês El-Jaick Andrade (Orgs.) (Rio de Janeiro: PROURB, Viana & Mosley, 2010.)

Este livro resume uma seleção dos trabalhos apresentados no 8º DOCOMOMO-BRASIL organizado pelo núcleo DOCOMOMO-RIO, e que se desenvolveu em setembro de 2009 no Palácio Capanema, com a participação de 500 assistentes. Esteve dedicado aos 50 anos da fundação de Brasília e as comemorações do centenário do nascimento de Burle Marx e Affonso Reidy. Daí a temática do evento, em que se integraram a arquitetura, arte e urbanismo. A particularidade deste evento “nacional” foi que foram convidadas nove personalidades internacionais que ministraram palestras especiais. O evento foi aberto pelo crítico espanhol Luis Fernández-Galiano. Todas conferências dos estrangeiros foram incluídas no livro.

Documentos de arquitetura moderna no Piauí
Alcília Afonso e Ana Rosa Negreiros. (Orgs.) , (Teresina : Gráfica Halley, 2010. 307p.)

Este livro é resultado de investigações científicas realizadas na área de arquitetura, pelo grupo de pesquisa “Modernidade Arquitetônica”, coordenado pela prof. Dr. Alcilia Afonso, cadastrado no CNPq/UFPI. O trabalho é composto de artigos publicados em anais de congressos sobre a arquitetura moderna teresinense e documentos inéditos como plantas, perspectivas, seções construtivas, fachadas, análises arquitetônicas. É um trabalho precursor pois por primeira vez, estas informações serão publicadas, divulgando o rico acervo arquitetônico/ cultural da capital piauiense, e que poderão servir de subsídios para pesquisas futuras na área.


10 de junho de 2011

12h00

docomomo Journal 43
Ana Tostões e Ivan Blasi (ed.) , Andrey Schlee e Sylvia Ficher (ed. conv.)
(Barcelona, 2.sem. 2010)

Brasília é o tema deste docomomo Journal, o periódico semestral do docomomo International. Esta edição celebra o aniversário da capital do país com uma coletânea feita pelos editores convidados Andrey Schlee e Syylvia Ficher, trazendo textos de Jeferson Tavares, Farès el-Dahdah, José Pessôa, Pedro Paulo Palazzo, Hugo Segawa, Carlos Eduardo Comas, Paulo Roberto Alves dos Santos, Rafael Miura Bonazzi, Hattie Hartman, Danilo Matoso Macedo, Elcio Gomes da Silva e Eduardo Pierrotti Rossetti. Os ensaios tratam das origens, dos projetos, das construções, da crítica e da trajetória de cinquenta anos da cidade, celebrados em 2010.

18h15

Forma estática – forma estética
Ensaios de Joaquim Cardozo sobre arquitetura e engenharia
Danilo Matoso Macedo e Fabiano José Arcadio Sobreira (orgs.) , (Brasília : Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2009. 218p.)

Engenheiro, poeta, dramaturgo, desenhista, topógrafo, crítico de arte e historiador são apenas algumas das facetas conhecidas de Joaquim Cardozo (1897-1978), responsável direto pela demarcação de parte do litoral nordestino, pela gênese do movimento moderno nas artes do Recife na década de 1910 e pelo cálculo estrutural de um sem-número de obras representativas de nossa Arquitetura Moderna Brasileira – dentre elas, a Igreja da Pampulha (Belo Horizonte, 1940) e o Congresso Nacional (Brasília, 1958), ambos projetados por Oscar Niemeyer.
O livro é uma coletânea de 23 ensaios publicados entre 1939 e 1973 por Joaquim Cardozo no campo do arquitetura e da engenharia. Um exercício de rememoração e uma pequena homenagem a este personagem notável da história brasileira recente. A publicação reúne ainda textos escritos por professores e pesquisadores convidados:  Geraldo Santana (UFPE), Carlos Antonio Leite Brandão (UFMG), João Carlos Teatini (UnB). A edição foi organizada por Danilo Matoso Macedo e Fabiano José Arcadio Sobreira.

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