Oscar Niemeyer 1907-2012

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marcílio mendes ferreira

marcílio mendes ferreira
1936-2011

nascido em rio pomba, mg, em 7 de abril de 1936.
formado pela escola de arquitetura da universidade federal de minas gerais em 1963.
trabalhou no departamento de engenharia da caixa econômica federal em brasília de 1968 a 1993.
foi professor de projeto arquitetônico na universidade de brasília de 1993 a 2006.
foi autor de diversos projetos, destacando-se o instituto de química da unb (com aleixo furtado) e mais de vinte edifícios de apartamentos nas superquadras de brasília (sqs 203, 210, 312; sqn 205, 206), tema sobre o qual publicou um livro (com matheus gorovitz) em 2009.

marcílio mendes ferreira faleceu em 17 de março de 2011.

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com informações e fotos de stepan krawctschuk

Sverre Fehn – 1924-2009

fehn-01Falece, aos 84 anos, o arquiteto norueguês Sverre Fehn

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despedida a três artífices

Entre as noites de 27 de julho e 2 de agosto de 2008, a arquitetura brasileira perdeu três de seus grandes artífices: o artista Athos Bulcão, e os arquitetos Joaquim Guedes e Milton Ramos.
Artífice é palavra que cai bem aos três, pois significa a uma vez artesão e inventor, sugerindo que é da prática cotidiana do ofício que decorre a inovação.
Joaquim Guedes foi artífice do discurso aquitetônico, manifestado em seus textos, edifícios, planos urbanísticos, na prática docente, na política. Em todas estas instâncias, o cuidado e o labor no talho da palavra deixou a marca da profundidade no texto. Tendo se formado em 1954, participou do concurso de anteprojetos para o Plano Piloto de Brasília, afirmando já ali a integração indissociável entre todas aqueles campos da arquitetura.
Athos Bulcão foi artífice das artes. Dominava o desenho e a pintura com a desenvoltura que lhe rendeu diversos prêmios em exposições e concursos. Mas foi na integração de sua obra com a arquitetura que um novo mundo de possibilidades se abriu. E foi em Brasília, com seus painéis e sua azulejaria que o artista ajudou a construir uma nova paisagem para o dia-a-dia. Athos sinalizou com o cuidado de um ourives que qualquer material, tratado com compreensão, torna-se arte.
Milton Ramos foi artífice do projeto e da construção. Logo de início emprestou seus cuidados e seu suor ao legendário milhar de pranchas que compõem o detalhamento do Palácio do Itamaraty – desta obra prima de nossa construção . E mais além do cotidiano do projeto, foi nas obras do cotidiano brasiliense que Milton exerceu seu trabalho exaustivo. Seus edifícios residenciais, seus clubes, seus aeroportos, destacam-se pelo zelo no trato dos materiais, pela ordenação clássica dos elementos construtivos, pela disposição espacial simples e rica. E fascinam a todo aquele que, envolvido ou não com o mundo da construção, admira um trabalho bem cuidado.
Três artífices. Três conjuntos de obras tão diversas e tão similares, e todas de algum modo ligadas a Brasília. Três ausências monumentais no lapso de uma semana. Cabe a nós buscar estudá-las e entendê-las para fazer do trabalho desses homens uma lição.

danilo matoso macedo
arquiteto e urbanista
núcleo docomomo brasília

homenagem a milton ramos

Milton Ramos foi sem dúvida arquiteto de grande destaque dentre aqueles que presenciaram um momento de afirmação da modernidade arquitetônica no Brasil e seu posterior desenvolvimento. É figura chave na realização da cidade nova a que Brasília viria encarnar, tendo contribuído para esta realização com edifícios de excepcional riqueza plástica e construtiva.

Moderno na formação e pelo ambiente cultural que vivenciou no Rio de Janeiro que vinha se transformando radicalmente desde a década de 1930, Milton é responsável por uma obra de coerência e resultado, sendo expoente entre uma geração que se viu diante dos desafios de transformação vindicados por um país que há muito buscava sua identidade.

Formado pela faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil em dezembro de 1958, vem para Brasília apenas dois meses depois em busca de ampliar sua experiência profissional, o que de fato acontece, quando passa a integrar o quadro de profissionais da Construtora Pederneiras S.A, oportunidade que se soma a outras de igual importância, e que fizeram com que Milton se tornasse personalidade notória dentre os arquitetos responsáveis pela realização de Brasília em todas as escalas previstas no plano urbanístico de Lucio Costa. O êxito como construtor lhe confere uma imensa capacidade de realização e anos seguintes ao abrir o próprio escritório, a oportunidade de projetar certa variedade de temas de importância histórica e artística para Brasília.

Do convívio com profissionais, do aprendizado construtivo, das dificuldades encontradas na administração dos canteiros, é de onde Milton Ramos parecia extrair parte de sua propriedade projetiva, caracterizada nem tanto pela economia irrestrita de meios, mas sim, pela sua correta potencialização. Elementos que numa crítica comum são vistos como inerentes à realização da arquitetura moderna – pilotis, escadas escultóricas, clareza estrutural e rigor na aplicação material – nas mãos do arquiteto parecem ter o valor revelado e transformado; o projeto como verdade.

Milton foi sempre lembrado por contribuições preciosas na execução de algumas obras de Oscar Niemeyer, a mais notável o Palácio do Itamaraty, em que a riqueza no trato de inúmeras soluções é essencial para a distinção e integridade deste edifício. Mas cabe ressaltar que sua obra figura dentre as mais profícuas de uma geração fundamental para compreensão de nossa arquitetura e possui contundente autonomia propositiva, conciliando características construtivas e espaciais em edifícios onde prevalece o rigor pelo detalhe, a distinção no tratamento de volumes e superfícies, e uma criteriosa solução de elementos estruturais.

Escrevo como quem se debruçou com paixão e vontade sobre a obra desse mestre nos meses recentes e mesmo não tendo a oportunidade de desfrutar de seu convívio, posso reiterar o depoimento que colhi daqueles que puderam: de um homem leal, convicto, fiel a si mesmo e comprometido com as causas pelas quais se empenhou.

Tristes esses dias em que perdemos para o tempo dois magníficos artistas.

Carlos Henrique Magalhães.

milton ramos

milton ramos
1929-2008

nascido no rio de janeiro em 1929.
formado pela faculdade de arquitetura da universidade do brasil em 1958.
assessorou oscar niemeyer no detalhamento do palácio do itamaraty.
manteve escritório em brasília a partir de 1959.
foi autor de diversos projetos, dentre os quais:
. iate clube de brasília
. oratório do soldado
. clube da aeronáutica
. aeroporto de belo horizonte/confins

milton ramos faleceu em 2 de agosto de 2008

athos bulcão


athos bulcão
1918-2008

nascido no rio de janeiro em 1918.
deixou o curso de medicina em 1939 para dedicar-se à pintura.
trabalhou como auxiliar de portinari na confecção dos painéis em azulejos para a igreja da pampulha, em 1945.
em paris, de 1948 a 1949, cursou desenho na académie de la grande chaumière e litografia no ateliê de jean pons.
além de projetos gráficos, pinturas, desenhos e esculturas, produziu diversos painéis integrados à arquitetura, destacando-se sua colaboração com oscar niemeyer e joão filgueiras lima (lelé).

athos bulcão faleceu em brasília em 31 de julho de 2008