Touring Club : transponibilidade e direito à cidade

Cecília Gomes de Sá

Touring-Maquete

Nessa semana teve início uma nova discussão sobre a antiga sede do Touring Club de Brasília, projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. Após ser leiloado pelo poder público, o edifício, que é tombado, foi alugado a uma igreja que, segundo matérias no jornal Correio Braziliense e publicação na rede social de Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa, estaria descaracterizando a arquitetura original e o uso previsto. O prédio, que fica na Plataforma da Rodoviária, foi projetado para abrigar uma casa de chás avarandada, mas houve uma mudança de programa e em 1963 foi construído como um “centro de serviços culturais e turísticos”  do clube de automóveis ver reprodução da Revista Módulo, n.30 abaixo. No piso inferior havia uma estação de reparos, manutenção e abastecimento, como é costume nesse tipo de atividade. Após o fechamento do Touring Club, o local já passou por diversas atividades, entre elas, exposição de decoração, posto de gasolina, posto policial e agora anexo da Rodoviária de Brasília.

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Tombamento de Cataguases combatido

Colégio de Cataguazes (Oscar Niemeyer, 1943), um dos bens tombados pelo IPHAN. Foto de Danilo Matoso

Grupo de entidades locais é  contra a tutela do IPHAN

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Panteão abandonado

Danilo Matoso . 09/12/2008 .

Tapumes caídos há mais de um mês. Foto: Danilo Matoso . 09.12.2008 .

Praticamente todos os edifícios da Praça dos Três Poderes, em Brasília, foram tombados provisoriamente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN em 6 de dezembro de 2007. No Panteão da Pátria e da Liberdade, projetado por Oscar Niemeyer em 1985, o aniversário foi marcado pelo abandono.
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Palácio do Congresso – Descaracterização

Foto tirada no dia 17 de novembro de 2008, pela manhã

Foto tirada no dia 17 de novembro de 2008, pela manhã

Brasília, 17 de novembro de 2008

À
15a Superintendência Regional do IPHAN
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

À
Presidência do Senado Federal
Ilmo Sr.
Senador Garibaldi Alves

Prezados Senhores,

Como é de seu conhecimento, em reunião realizada em 6 de dezembro de 2007, o Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN – aprovou por unanimidade o tombamento do Palácio do Congresso Nacional e seus Anexos, o que enseja o tombamento provisório dessas edificações.
Entretanto, na presente data, foi afixada na empena leste do Anexo I do Senado Federal um banner publicitário destinado à divulgação de evento institucional interno daquela Casa de Leis – conforme fotografia anexa – alterando a fachada do edifício e mesmo comprometendo a sua integridade física – já que foram usados chumbadores de fixação.
Diversos municípios brasileiros, como São Paulo, Belo Horizonte e mesmo Brasília vêm regulando a publicidade comercial e institucional nas fachadas de seus edifícios através dos chamados Códigos de Publicidade. É consenso que a fixação de elementos pictóricos de grandes dimensões em fachadas de edifícios constitui elemento indesejável que deve ser evitado. Não será portanto em Brasília, cidade Patrimônio da Humanidade, que tal prática poderá ser adotada – descaracterizando a feição pública daquele edifício que é seu símbolo maior.
Não está aqui em questão a natureza do evento interno realizado – por mais louvável que seja: a prática é condenável em qualquer sentido, em prol do interesse comum maior de manutenção da imagem cívica de permanência e austeridade que o Palácio do Congresso deve emanar.
Solicitamos portanto, por meio deste, que seja tomadas as providências para retirada imediata da peça publicitária. Ressaltamos que tal prática não deve repetir-se, sob pena de transformar o Congresso Nacional em modelo de falta de urbanidade.

Respeitosamente,

Danilo Matoso Macedo
Arquiteto e Urbanista
Coordenador do Núcleo Docomomo Brasília
www.docomomobsb.org
contato@docomomobsb.org

docomomo
International Working Party for
Documentation and Conservation of
Buildings, Sites and Neighbourhoods
of the Modern Movement