1º seminário docomomo-mg

1º. SEMINÁRIO DO.CO.MO.MO-MG
Arquitetura e Urbanismo Modernos em Minas Gerais:
novas fronteiras, novos cenários

Uberlândia, 21 a 24 de abril de 2010
Novo prazo para envio dos resumos [com novo formato]: 1 de março de 2010

Apresentação

A busca pelo ouro levou portugueses, em tempos coloniais, a seguir pelo interior afora, na ânsia de encontrar férteis jazidas e enriquecimento rápido. O enriquecimento não se tornou realidade para a grande maioria. Esta riqueza logo mostrou sua volatilidade no território da Colônia. Pouco dela, ou pouquíssimo, ficou para os povoados aí situados. No entanto, a participação na formação tardia de uma nacionalidade nessa extensa região dependeu basicamente dos laços culturais resultantes destas ações. Segundo García Canclini:

“Aquilo que se entende por cultura nacional muda de acordo com as épocas. Isto demonstra que, mesmo existindo suportes concretos e contínuos do que se concebe como nação (o território, a população e seus costumes etc.), em boa parte o que se considera como tal é uma construção imaginária.” (GARCÍA CANCLINI. O patrimônio cultural e a construção imaginária do nacional. Revista do PHAN, n. 23, p. 98, 1994)

Embora naquele remoto século XVIII, a formação de uma nacionalidade não fizesse parte dos objetivos daqueles obstinados bandeirantes ou daqueles aventureiros em busca de riqueza, a expansão do território nacional já estava sendo delineada. Partindo das capitanias do Rio de Janeiro ou de São Vicente, as bandeiras foram se embrenhando pelo interior desconhecido, deixando em seu rastro uma urbanização rarefeita, mas fixa por vários motivos. Inicialmente, a busca do ouro na região central do estado e mesmo na direção norte e oeste que lançou um rastro permanente; depois, a boa adaptação do café fez com que novas rotas auxiliadas pelos novos meios de transporte renovassem a área de ocupação. Com a industrialização, veio o apogeu de diversas regiões no estado. A própria República foi aí saudada com novos espaços, novas construções que modernizaram o Estado, deixando para trás o aspecto de Província.

Em tempos de modernidade, seja sob a ótica do governo de Getúlio Vargas ou aquela de Juscelino Kubitschek, estas distâncias passaram a ser diminuídas pela disseminação e divulgação de ideais modernos. A Rádio Nacional teve papel fundamental nesta difusão. Mais tarde, com o telefone e a televisão mais democratizados, além de outros aparatos, as ‘minas gerais’ deixaram de ser uma referência ao passado e uma região importante no pensamento político nacional transformando-se em mais uma área no mapa mental de brasileiros como parte de sua nação. Contrapondo-se ao passado colonial, a modernidade de Pampulha fez com que essas comunidades antes consideradas isoladas passassem a fazer parte do corpo integrante da nação. A abertura para a atuação de jovens arquitetos cariocas em um território embora no interior mas totalmente promissor possibilitou a inclusão do estado de Minas Gerais na história da arquitetura moderna no Brasil, desde o seu alvorecer. Vale mencionar que, a partir dos anos 30, acrescida à intensa discussão dos problemas urbanos, a busca de uma linguagem moderna impõe-se à moderna Capital Mineira e se difunde pelas cidades do interior.

A esta altura, fazer parte da nação brasileira significava fazer parte também de uma modernidade artística, arquitetônica, literária, musical. O imaginário moderno não admitia barreiras geográficas. Aliás, há aí quase que um contra-senso: ser moderno pode ser visto como ser parte do mundo – industrializado, cosmopolitizado, universalizado – mesmo que características regionais sejam evidentes aqui e ali. A inclusão e a diversidade deveriam ser itens de um mesmo discurso. Primeiro no Conjunto da Pampulha – uma área construída exclusivamente para a elite mineira que marcou com distinção a penetração do ideário moderno no âmbito da Arquitetura e do Urbanismo em Minas Gerais – inclusive tendo servido como importante referencial para a população local que queria fazer parte, mesmo que no plano das idéias e das imagens, do mundo moderno: os telhados-borboleta já com o uso de lajes planas inclinadas, o uso de azulejos modernizados nas fachadas, as platibandas escondendo um telhado com materiais industrializados da produção nacional, as colunas mais esbeltas próprias da tecnologia do concreto, etc. Como cariátides do Mundo Moderno, o uso destas colunas é representativo da vontade comum de um pertencimento ao Brasil moderno.

E entre as cidades do século XX temos Brasília, cidade moderna que completa cinquenta anos em 2010 e que em 1989 teve seu Plano Piloto reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade preservando assim seu caráter moderno. A construção dessa cidade moderna iria influenciar e contribuir com o desenvolvimento das cidades do Triangulo Mineiro que se encontrava em posição geográfica privilegiada em relação a Brasília. A interiorização da capital da república foi um projeto que teve o apoio da cidade de Uberlândia e sua região, que serviram de posto de passagem para a nova capital, na época da construção há cinqüenta anos atrás, e se constituiu em fator fundamental para o crescimento local e regional.

A distância do litoral, a ocupação esparsa e tardia fruto de uma economia local, uma urbanização planejada em pontos estratégicos e a ocupação sistemática do território fizeram de Minas um projeto-piloto de uma possível e bem sucedida ocupação continental. Talvez compartilhe mesmo de certo caráter desenvolvimentista na configuração das cidades do século XX.

Teria este caráter auxiliado no desenvolvimento de uma arquitetura própria ou da arquitetura em si? À ocupação do território teria se irmanado a construção de um território da arquitetura e do urbanismo próprios dessas regiões? Que pesquisas vêm sendo feitas no sentido de se mapear esses novos territórios, ou de identificar os possíveis desenvolvimentos autóctones ocorridos nas cidades do estado mineiro?

Não só García Canclini acredita que a formação de uma nação depende de laços imaginários. Só uma língua materna e/ou oficial em comum não basta. É preciso ter algo mais e as várias formas de expressão são partes imprescindíveis do conjunto de elementos que formam uma cultura. E a arquitetura como expressão de um povo e de uma época pode ter um papel fundamental na formação destes laços.

Para tanto é que propomos o 1º. Seminário Docomomo Minas Gerais. As suas raízes históricas, fundadas em um mesmo propósito, suas semelhanças territoriais e geográficas na distância dos grandes centros do litoral do sudeste brasileiro, são motivos suficientes para esta proposta. Apresentamos assim a oportunidade de reunir profissionais arquitetos, engenheiros, historiadores, restauradores e pesquisadores para a discussão desse amplo acervo, ainda pouco conhecido e com tanto para ser divulgado e debatido.

Objetivo principal:

Apresentar e debater as ações de documentação e conservação do Patrimônio Cultural Moderno de Minas Gerais. A partir da apresentação de pesquisas e ações concluídas ou em andamento, avaliar o conjunto de medidas que vêm sendo feitas e propor novas providências no sentido de promover um debate regional, contínuo e ativo.

Sessões temáticas

1. Documentação – inventário e análise histórica das obras

2. Conservação e Preservação – intervenções de restauração; recuperação de documentação e abordagens sobre a conservação da arquitetura moderna nos cursos de Arquitetura e Urbanismo

3. Mestres e disseminadores do Modernismo – trajetórias profissionais e acadêmicas

4. Ideário urbanístico – propostas, realizações e intervenções

Público alvo:

Pretende-se reunir, com este evento, profissionais, pesquisadores, professores, estudantes de arquitetura e áreas afins, que vêem estudando a produção arquitetônica e o urbanismo de Minas Gerais. Em princípio, prevê-se um número em torno de 200 participantes, entre as várias categorias. Além de pessoas do meio acadêmico, o evento será aberto à participação de todos os profissionais da área de proteção do patrimônio histórico e artístico, sejam eles técnicos de instituições governamentais como o IPHAN e o IEPHA, mas também as secretarias e departamentos de prefeituras, de arquivos públicos e fundações privadas ou organizações não-governamentais com atuação comprovada na área.

Local: Campus da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia, Minas Gerais

Período: de 21 a 24 de abril de 2010

Atividades:

Palestras, mesas-redondas, sessões de comunicação de trabalhos, exposições, vídeos e lançamento de livros, visitas técnicas (obras de Lina Bo Bardi, Oswaldo Arthur Bratke e Jorge Coury em Uberlândia; Luís Signorelli, Francisco Bolonha, Roberto Burle Marx e Raphael Hardy Filho em Araxá, dentre outros).

Propostas de Mesas-Redondas:

  • Os arquitetos modernos mineiros – a primeira geração (Sylvio de Vasconcellos, Eduardo Guimarães e João Jorge Coury)
  • O Urbanismo Moderno em MG – principais interlocutores
  • Desafios da Preservação e da Conservação do acervo moderno mineiro – os arquivos públicos e privados

Inscrições e taxas de pagamento:

Categorias e prazos até 01/03/2010 após 01/03/2010
Estudante de Graduação R$ 50,00 R$ 80,00
Estudante de Pós-Graduação R$ 150,00 R$ 180,00
Membro Docomomo R$ 150,00 R$ 180,00
Profissional R$ 200,00 R$ 250,00
Momo tour (Uberlândia e Araxá) os valores serão anunciados em um futuro breve

Brevemente estaremos informando a página do evento com mais detalhes sobre a programação e as formas de pagamento das inscrições.

Chamada de Trabalhos:

O Comitê Científico do 1º. Seminário DOCOMOMO Minas fará a seleção de trabalhos para comunicação oral e para painel. A seleção será feita em duas etapas. A primeira seleção deverá ser feita através do resumo expandido (máximo de 3.000 palavras, incluindo-se a bibliografia e as notas de pé-de-página) que deverá ser enviado até o dia 07 de fevereiro de 2010 (prazo adiado para 01 de março de 2010, ver calendário abaixo). A segunda etapa da seleção definirá a categoria de apresentação do trabalho (comunicação oral ou painel) e será feita por meio da análise do texto completo. Cada autor só poderá submeter um trabalho, como seu primeiro autor. O texto completo deverá ser organizado com a seguinte apresentação e conteúdo:

ARQUIVO 1:

Identificação[1] na primeira página

  • título principal do trabalho, fonte Arial 12 negrito, centralizado;
  • nome(s) do(s) autor (es), fonte Arial 11 normal, centralizado;
  • formação e filiação do(s) autor(es), Arial 10 normal, centralizado;
  • endereço para correspondência, incluindo telefone, fax e e-mail, Arial 10, centralizado;
  • endereço do Currículo Lattes.

Proposta de Trabalho nas páginas subseqüentes:

Segunda página:

  • Abstract (máximo de 300 palavras), fonte Arial 10 normal, espaçamento simples, e
  • Palavras-chave/keywords (máximo 3).

Terceira página em diante:

  • Resumo expandido (máximo de 3000 palavras, incluindo-se a bibliografia e notas de pé-de-página), fonte Arial 10 normal, espaçamento simples.

ARQUIVO 2:

Na primeira página:

  • Título do trabalho, fonte Arial 12 negrito.
  • Abstract (máximo de 300 palavras), fonte Arial 10 normal, espaçamento simples.
  • Palavras-chave/keywords (máximo 3).

Nas páginas subseqüentes:

  • Resumo expandido (máximo de 3000 palavras, incluindo-se a bibliografia e notas de pé-de-página), fonte Arial 10 normal, espaçamento simples.

Na segunda página e páginas subseqüentes (texto)

O corpo do texto deverá ser iniciado a partir da segunda página, obedecendo ao seguinte formato:

• Os trabalhos deverão ser apresentados em formato A4, Programa MSWord (versão 7 ou posterior);

• Todas as margens deverão ter 2 cm; parágrafo justificado, salvo quando indicado centralizado nas páginas iniciais;

• Título principal Arial 14 negrito, subtítulos Arial 12 negrito, corpo do texto Arial 11 normal, espaço entre linhas 1,5;

• O espaço entre parágrafos 6 pts depois, sem afastamento na primeira linha;

• O trabalho completo deverá ter até 6.000 (seis mil) palavras;

• As páginas deverão ser numeradas a partir da segunda página;

• As ilustrações deverão ser salvas em JPG e inseridas no texto próximas ao trecho a que se referem. Para não sobrecarregar o arquivo, recomenda-se que gráficos, figuras, fotos e qualquer arquivo gráfico, estejam inseridos no texto em padrão.JPG, resolução até 96 dpi. e que não excedam a 3Mb no total.

• Notas e referências em rodapé, fonte Arial 8 normal, parágrafo justificado;

• As citações que excederem 3 linhas deverão ser em itálico, Arial 11 com recuo esquerdo de 1cm;

• A numeração das figuras (Figura 1, por exemplo), seguida da legenda em corpo 10 normal, deve aparecer logo abaixo das mesmas, centralizado. Separar do texto as tabelas e figuras com 1 linha antes e depois;

• As referências bibliográficas deverão ser reunidas no final do artigo em uma relação única em ordem alfabética, de acordo com a NBR 6023:2002, com entre linhas simples, espaço de 6 pts antes e depois.

Exemplos:

BASTOS, Maria Alice Junqueira. Pós-Brasília: Rumos da arquitetura brasileira. São Paulo: Perspectiva/Fapesp, 2003.

LOUREIRO, Cláudia, AMORIM, Luiz. Por uma arquitetura social: a influência de Richard Neutra em prédios escolares no Brasil. São Paulo: Vitruvius, 2002. Disponível em www.vitruvius.com.br; acesso em 07 mai. 2005, 20:46:30.

REZENDE, Vera. Planos e regulação urbanística: a dimensão normativa das intervenções na cidade do Rio de Janeiro. In: Oliveira, Lúcia Lippi (Org.). Cidade: História e desafios. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2002. p. 256-281.

RYKWERT, Joseph. Gêneros das colunas gregas: Origens míticas e históricas. Desígnio, São Paulo, n.2, p.55-66, setembro, 2004.

Prazos e Endereços para envio

Toda a comunicação deverá ser feita por e-mail. Dúvidas deverão ser encaminhadas para organizacaodocomomomg@gmail.com e as propostas de trabalhos deverão ser encaminhadas para 1seminariodocomomomg@gmail.com.

A seleção final dos trabalhos, conforme as categorias comunicação oral ou painel, será divulgada até o dia 15 de abril de 2010. O site do seminário será divulgado dentro em breve.

Novo Calendário

01 de março de 2010

Último prazo para envio de resumos expandidos (ver informações acima em ARQUIVO 1 e ARQUIVO 2, já modificadas).

01 de março de 2010

Último dia para inscrições com preços reduzidos

15 de março de 2010

Informe dos resumos aprovados.

31 de março de 2010

Prazo para envio de textos completos.

15 de abril de 2010

Informe da seleção final dos trabalhos.

21 de abril de 2010

Abertura do evento.

Comissão Organizadora

Maria Marta dos Santos Camisassa (UFV)

Maria Beatriz Camargo Cappello (UFU)

Fábio José Martins de Lima (UFJF)

Patrícia Pimenta Azevedo Ribeiro(UFU)

Maria Eliza Alves Guerra (UFU)

Luiz Carlos (Lu) de Laurentiz (UFU)

Marília Maria Brasileiro Teixeira Vale (UFU)

Luis Eduardo dos Santos Borda (UFU)

Denise Marques Bahia (PUC-Minas)

Comitê Científico (a confirmar)

Carlos Eduardo Dias Comas (UFRGS)

Danilo Matoso Macedo (Assembléia dos Deputados, Brasília)

Fábio José Martins de Lima (UFJF)

Fernando Lara (Universidade do Texas)

Maria Beatriz Camargo Cappello (UFU)

Maria Marta dos Santos Camisassa (UFV)

Marília Maria Brasileiro Teixeira Vale (UFU)

Patrícia Pimenta Azevedo Ribeiro (UFU)

Promoção:

Docomomo-Brasil

Docomomo-MG

Universidade Federal de Uberlândia

Universidade Federal de Juiz de Fora

Universidade Federal de Viçosa

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Apoio:

Portal Vitruvius

Revista MDC

Casa do Baile/Museu Histórico Abílio Barreto

IAB-MG; e IAB-MG/núcleo Uberlândia

Escola de Arquitetura/Universidade Federal de Minas Gerais


[1] Observação: a primeira página terá um arquivo à parte, para que seja de conhecimento apenas da Comissão Organizadora do evento, e não do Comitê Científico, preservando-se assim a autoria dos trabalhos.

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1º. SEMINÁRIO DO.CO.MO.MO-MG

Arquitetura e Urbanismo Modernos em Minas Gerais: novas fronteiras, novos cenários

Uberlândia, 21 a 24 de abril de 2010

Apresentação

A busca pelo ouro levou portugueses, em tempos coloniais, a seguir pelo interior afora, na ânsia de encontrar férteis jazidas e enriquecimento rápido. O enriquecimento não se tornou realidade para a grande maioria. Esta riqueza logo mostrou sua volatilidade no território da Colônia. Pouco dela, ou pouquíssimo, ficou para os povoados aí situados. No entanto, a participação na formação tardia de uma nacionalidade nessa extensa região dependeu basicamente dos laços culturais resultantes destas ações. Segundo García Canclini:

“Aquilo que se entende por cultura nacional muda de acordo com as épocas. Isto demonstra que, mesmo existindo suportes concretos e contínuos do que se concebe como nação (o território, a população e seus costumes etc.), em boa parte o que se considera como tal é uma construção imaginária.” (GARCÍA CANCLINI. O patrimônio cultural e a construção imaginária do nacional. Revista do PHAN, n. 23, p. 98, 1994)

Embora naquele remoto século XVIII, a formação de uma nacionalidade não fizesse parte dos objetivos daqueles obstinados bandeirantes ou daqueles aventureiros em busca de riqueza, a expansão do território nacional já estava sendo delineada. Partindo das capitanias do Rio de Janeiro ou de São Vicente, as bandeiras foram se embrenhando pelo interior desconhecido, deixando em seu rastro uma urbanização rarefeita, mas fixa por vários motivos. Inicialmente, a busca do ouro na região central do estado e mesmo na direção norte e oeste que lançou um rastro permanente; depois, a boa adaptação do café fez com que novas rotas auxiliadas pelos novos meios de transporte renovassem a área de ocupação. Com a industrialização, veio o apogeu de diversas regiões no estado. A própria República foi aí saudada com novos espaços, novas construções que modernizaram o Estado, deixando para trás o aspecto de Província.

Em tempos de modernidade, seja sob a ótica do governo de Getúlio Vargas ou aquela de Juscelino Kubitschek, estas distâncias passaram a ser diminuídas pela disseminação e divulgação de ideais modernos. A Rádio Nacional teve papel fundamental nesta difusão. Mais tarde, com o telefone e a televisão mais democratizados, além de outros aparatos, as ‘minas gerais’ deixaram de ser uma referência ao passado e uma região importante no pensamento político nacional transformando-se em mais uma área no mapa mental de brasileiros como parte de sua nação. Contrapondo-se ao passado colonial, a modernidade de Pampulha fez com que essas comunidades antes consideradas isoladas passassem a fazer parte do corpo integrante da nação. A abertura para a atuação de jovens arquitetos cariocas em um território embora no interior mas totalmente promissor possibilitou a inclusão do estado de Minas Gerais na história da arquitetura moderna no Brasil, desde o seu alvorecer. Vale mencionar que, a partir dos anos 30, acrescida à intensa discussão dos problemas urbanos, a busca de uma linguagem moderna impõe-se à moderna Capital Mineira e se difunde pelas cidades do interior.

A esta altura, fazer parte da nação brasileira significava fazer parte também de uma modernidade artística, arquitetônica, literária, musical. O imaginário moderno não admitia barreiras geográficas. Aliás, há aí quase que um contra-senso: ser moderno pode ser visto como ser parte do mundo – industrializado, cosmopolitizado, universalizado – mesmo que características regionais sejam evidentes aqui e ali. A inclusão e a diversidade deveriam ser itens de um mesmo discurso. Primeiro no Conjunto da Pampulha – uma área construída exclusivamente para a elite mineira que marcou com distinção a penetração do ideário moderno no âmbito da Arquitetura e do Urbanismo em Minas Gerais – inclusive tendo servido como importante referencial para a população local que queria fazer parte, mesmo que no plano das idéias e das imagens, do mundo moderno: os telhados-borboleta já com o uso de lajes planas inclinadas, o uso de azulejos modernizados nas fachadas, as platibandas escondendo um telhado com materiais industrializados da produção nacional, as colunas mais esbeltas próprias da tecnologia do concreto, etc. Como cariátides do Mundo Moderno, o uso destas colunas é representativo da vontade comum de um pertencimento ao Brasil moderno.

E entre as cidades do século XX temos Brasília, cidade moderna que completa cinquenta anos em 2010 e que em 1989 teve seu Plano Piloto reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade preservando assim seu caráter moderno. A construção dessa cidade moderna iria influenciar e contribuir com o desenvolvimento das cidades do Triangulo Mineiro que se encontrava em posição geográfica privilegiada em relação a Brasília. A interiorização da capital da república foi um projeto que teve o apoio da cidade de Uberlândia e sua região, que serviram de posto de passagem para a nova capital, na época da construção há cinqüenta anos atrás, e se constituiu em fator fundamental para o crescimento local e regional.

A distância do litoral, a ocupação esparsa e tardia fruto de uma economia local, uma urbanização planejada em pontos estratégicos e a ocupação sistemática do território fizeram de Minas um projeto-piloto de uma possível e bem sucedida ocupação continental. Talvez compartilhe mesmo de certo caráter desenvolvimentista na configuração das cidades do século XX.

Teria este caráter auxiliado no desenvolvimento de uma arquitetura própria ou da arquitetura em si? À ocupação do território teria se irmanado a construção de um território da arquitetura e do urbanismo próprios dessas regiões? Que pesquisas vêm sendo feitas no sentido de se mapear esses novos territórios, ou de identificar os possíveis desenvolvimentos autóctones ocorridos nas cidades do estado mineiro?

Não só García Canclini acredita que a formação de uma nação depende de laços imaginários. Só uma língua materna e/ou oficial em comum não basta. É preciso ter algo mais e as várias formas de expressão são partes imprescindíveis do conjunto de elementos que formam uma cultura. E a arquitetura como expressão de um povo e de uma época pode ter um papel fundamental na formação destes laços.

Para tanto é que propomos o 1º. Seminário Docomomo Minas Gerais. As suas raízes históricas, fundadas em um mesmo propósito, suas semelhanças territoriais e geográficas na distância dos grandes centros do litoral do sudeste brasileiro, são motivos suficientes para esta proposta. Apresentamos assim a oportunidade de reunir profissionais arquitetos, engenheiros, historiadores, restauradores e pesquisadores para a discussão desse amplo acervo, ainda pouco conhecido e com tanto para ser divulgado e debatido.

Objetivo principal:

Apresentar e debater as ações de documentação e conservação do Patrimônio Cultural Moderno de Minas Gerais. A partir da apresentação de pesquisas e ações concluídas ou em andamento, avaliar o conjunto de medidas que vêm sendo feitas e propor novas providências no sentido de promover um debate regional, contínuo e ativo.

Sessões temáticas

1. Documentação – inventário e análise histórica das obras

2. Conservação e Preservação – intervenções de restauração; recuperação de documentação e abordagens sobre a conservação da arquitetura moderna nos cursos de Arquitetura e Urbanismo

3. Mestres e disseminadores do Modernismo – trajetórias profissionais e acadêmicas

4. Ideário urbanístico – propostas, realizações e intervenções

Público alvo:

Pretende-se reunir, com este evento, profissionais, pesquisadores, professores, estudantes de arquitetura e áreas afins, que vêem estudando a produção arquitetônica e o urbanismo de Minas Gerais. Em princípio, prevê-se um número em torno de 200 participantes, entre as várias categorias. Além de pessoas do meio acadêmico, o evento será aberto à participação de todos os profissionais da área de proteção do patrimônio histórico e artístico, sejam eles técnicos de instituições governamentais como o IPHAN e o IEPHA, mas também as secretarias e departamentos de prefeituras, de arquivos públicos e fundações privadas ou organizações não-governamentais com atuação comprovada na área.

Local: Campus da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia, Minas Gerais

Período: de 21 a 24 de abril de 2010

Atividades:

Palestras, mesas-redondas, sessões de comunicação de trabalhos, exposições, vídeos e lançamento de livros, visitas técnicas (obras de Lina Bo Bardi, Oswaldo Arthur Bratke e Jorge Coury em Uberlândia; Luís Signorelli, Francisco Bolonha, Roberto Burle Marx e Raphael Hardy Filho em Araxá, dentre outros).

Propostas de Mesas-Redondas:

· Os arquitetos modernos mineiros – a primeira geração (Sylvio de Vasconcellos, Eduardo Guimarães e João Jorge Coury)

· O Urbanismo Moderno em MG – principais interlocutores

· Desafios da Preservação e da Conservação do acervo moderno mineiro – os arquivos públicos e privados

Inscrições e taxas de pagamento:

Categorias e prazos

até 01/03/2010

após 01/03/2010

Estudante de Graduação

R$ 50,00

R$ 80,00

Estudante de Pós-Graduação

R$ 150,00

R$ 180,00

Membro Docomomo

R$ 150,00

R$ 180,00

Profissional

R$ 200,00

R$ 250,00

Momo tour (Uberlândia e Araxá)

os valores serão anunciados em um futuro breve

Brevemente estaremos informando a página do evento com mais detalhes sobre a programação e as formas de pagamento das inscrições.

Chamada de Trabalhos:

O Comitê Científico do 1º. Seminário DOCOMOMO Minas fará a seleção de trabalhos para comunicação oral e para painel. A seleção será feita em duas etapas. A primeira seleção deverá ser feita através do resumo expandido (máximo de 3.000 palavras, incluindo-se a bibliografia e as notas de pé-de-página) que deverá ser enviado até o dia 07 de fevereiro de 2010 (prazo adiado para 01 de março de 2010, ver calendário abaixo). A segunda etapa da seleção definirá a categoria de apresentação do trabalho (comunicação oral ou painel) e será feita por meio da análise do texto completo. Cada autor só poderá submeter um trabalho, como seu primeiro autor. O texto completo deverá ser organizado com a seguinte apresentação e conteúdo:

ARQUIVO 1:

Identificação[1] na primeira página

  • título principal do trabalho, fonte Arial 12 negrito, centralizado;
  • nome(s) do(s) autor (es), fonte Arial 11 normal, centralizado;
  • formação e filiação do(s) autor(es), Arial 10 normal, centralizado;
  • endereço para correspondência, incluindo telefone, fax e e-mail, Arial 10, centralizado;
  • endereço do Currículo Lattes.

Proposta de Trabalho nas páginas subseqüentes:

Segunda página:

  • Abstract (máximo de 300 palavras), fonte Arial 10 normal, espaçamento simples, e
  • Palavras-chave/keywords (máximo 3).

Terceira página em diante:

  • Resumo expandido (máximo de 3000 palavras, incluindo-se a bibliografia e notas de pé-de-página), fonte Arial 10 normal, espaçamento simples.

ARQUIVO 2:

Na primeira página:

  • Título do trabalho, fonte Arial 12 negrito.
  • Abstract (máximo de 300 palavras), fonte Arial 10 normal, espaçamento simples.
  • Palavras-chave/keywords (máximo 3).

Nas páginas subseqüentes:

  • Resumo expandido (máximo de 3000 palavras, incluindo-se a bibliografia e notas de pé-de-página), fonte Arial 10 normal, espaçamento simples.

Na segunda página e páginas subseqüentes (texto)

O corpo do texto deverá ser iniciado a partir da segunda página, obedecendo ao seguinte formato:

• Os trabalhos deverão ser apresentados em formato A4, Programa MSWord (versão 7 ou posterior);

• Todas as margens deverão ter 2 cm; parágrafo justificado, salvo quando indicado centralizado nas páginas iniciais;

• Título principal Arial 14 negrito, subtítulos Arial 12 negrito, corpo do texto Arial 11 normal, espaço entre linhas 1,5;

• O espaço entre parágrafos 6 pts depois, sem afastamento na primeira linha;

• O trabalho completo deverá ter até 6.000 (seis mil) palavras;

• As páginas deverão ser numeradas a partir da segunda página;

• As ilustrações deverão ser salvas em JPG e inseridas no texto próximas ao trecho a que se referem. Para não sobrecarregar o arquivo, recomenda-se que gráficos, figuras, fotos e qualquer arquivo gráfico, estejam inseridos no texto em padrão.JPG, resolução até 96 dpi. e que não excedam a 3Mb no total.

• Notas e referências em rodapé, fonte Arial 8 normal, parágrafo justificado;

• As citações que excederem 3 linhas deverão ser em itálico, Arial 11 com recuo esquerdo de 1cm;

• A numeração das figuras (Figura 1, por exemplo), seguida da legenda em corpo 10 normal, deve aparecer logo abaixo das mesmas, centralizado. Separar do texto as tabelas e figuras com 1 linha antes e depois;

• As referências bibliográficas deverão ser reunidas no final do artigo em uma relação única em ordem alfabética, de acordo com a NBR 6023:2002, com entre linhas simples, espaço de 6 pts antes e depois.

Exemplos:

BASTOS, Maria Alice Junqueira. Pós-Brasília: Rumos da arquitetura brasileira. São Paulo: Perspectiva/Fapesp, 2003.

LOUREIRO, Cláudia, AMORIM, Luiz. Por uma arquitetura social: a influência de Richard Neutra em prédios escolares no Brasil. São Paulo: Vitruvius, 2002. Disponível em www.vitruvius.com.br; acesso em 07 mai. 2005, 20:46:30.

REZENDE, Vera. Planos e regulação urbanística: a dimensão normativa das intervenções na cidade do Rio de Janeiro. In: Oliveira, Lúcia Lippi (Org.). Cidade: História e desafios. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2002. p. 256-281.

RYKWERT, Joseph. Gêneros das colunas gregas: Origens míticas e históricas. Desígnio, São Paulo, n.2, p.55-66, setembro, 2004.

Prazos e Endereços para envio

Toda a comunicação deverá ser feita por e-mail. Dúvidas deverão ser encaminhadas para organizacaodocomomomg@gmail.com e as propostas de trabalhos deverão ser encaminhadas para 1seminariodocomomomg@gmail.com.

A seleção final dos trabalhos, conforme as categorias comunicação oral ou painel, será divulgada até o dia 15 de abril de 2010. O site do seminário será divulgado dentro em breve.

Novo Calendário

01 de março de 2010

Último prazo para envio de resumos expandidos (ver informações acima em ARQUIVO 1 e ARQUIVO 2, já modificadas).

01 de março de 2010

Último dia para inscrições com preços reduzidos

15 de março de 2010

Informe dos resumos aprovados.

31 de março de 2010

Prazo para envio de textos completos.

15 de abril de 2010

Informe da seleção final dos trabalhos.

21 de abril de 2010

Abertura do evento.

Comissão Organizadora

Maria Marta dos Santos Camisassa (UFV)

Maria Beatriz Camargo Cappello (UFU)

Fábio José Martins de Lima (UFJF)

Patrícia Pimenta Azevedo Ribeiro(UFU)

Maria Eliza Alves Guerra (UFU)

Luiz Carlos (Lu) de Laurentiz (UFU)

Marília Maria Brasileiro Teixeira Vale (UFU)

Luis Eduardo dos Santos Borda (UFU)

Denise Marques Bahia (PUC-Minas)

Comitê Científico (a confirmar)

Carlos Eduardo Dias Comas (UFRGS)

Danilo Matoso Macedo (Assembléia dos Deputados, Brasília)

Fábio José Martins de Lima (UFJF)

Fernando Lara (Universidade do Texas)

Maria Beatriz Camargo Cappello (UFU)

Maria Marta dos Santos Camisassa (UFV)

Marília Maria Brasileiro Teixeira Vale (UFU)

Patrícia Pimenta Azevedo Ribeiro (UFU)

Promoção:

Docomomo-Brasil

Docomomo-MG

Universidade Federal de Uberlândia

Universidade Federal de Juiz de Fora

Universidade Federal de Viçosa

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Apoio:

Portal Vitruvius

Casa do Baile/Museu Histórico Abílio Barreto

IAB-MG; e IAB-MG/núcleo Uberlândia

Escola de Arquitetura/Universidade Federal de Minas Gerais


[1] Observação: a primeira página terá um arquivo à parte, para que seja de conhecimento apenas da Comissão Organizadora do evento, e não do Comitê Científico, preservando-se assim a autoria dos trabalhos.

2 Respostas

  1. Sou pesquisadora do tema arquitetura moderma no Brasil e gostaria de receber informações sobre atividades do docomomo.
    Atenciosamente
    Raquel Julião

  2. Cara Raquel,

    Para saber mais sobre o que é o docomomo, basta acessar o seguinte endereço:
    http://www.docomomo.org.br/oqueedocomomo.htm

    Se desejar manter-se informada sobre o que ocorre no docomomo, pode assinar o RSS de nossa newsletter:
    http://groups.google.com/group/docomomo-bsb
    Ou podemos cadastrá-la para recebimento das notícias por e-mail.

    Cordialmente,

    Danilo Matoso Macedo
    Núcleo Docomomo Brasília
    contato@docomomobsb.org
    http://www.docomomobsb.org

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